Moda inclusiva: como começar?

Moda inclusiva: como começar?

Bom, a minha formação como terapeuta ocupacional me trouxe a oportunidade de ter contato direto com pessoas com deficiência ao longo dos quase 11 anos em que trabalho na área da saúde.

Durante esses tempo, pude ir percebendo que as queixas eram um pouco parecidas, tinha sempre um caso semelhante ao outro e isso me trouxe um olhar mais aprofundado desse universo.

Foi daí que fui percebendo quais eram as queixas mais frequentes com relação as roupas, comecei a anotá-las e tentar resolvê-las. Simples assim….

Bom, mas você pode pensar “pôxa Maria Clara, mas eu não sou TO, não conheço muitas pessoas com deficiência…ferrou”, não, calma, vamos por partes, vou te ajudar a entender como resolver esse problema.

Realmente ter estudado na faculdade de Terapia Ocupacional o corpo humano, as principais doenças (patologia), como isso de aplica na limitação de atividades de vida diária das pessoas, me fez ir com muita propriedade para resolver a queixa do paciente, afinal de contas foi para isso que me formei, mas o que me fez entrar de vez para a área de moda, foi o interesse em resolver cada caso que caiu na minha mão.

Ah que bonito!

Não é questão de ser uma boa ação, é minha obrigação, me formei para isso!

Confesso que com essa bagagem não foi difícil, e não é mesmo para nenhuma terapeuta ocupacional, mas para quem vem sem esse conhecimento, aí sim….a coisa complica um pouco.

Simplesmente sair estudando tudo como auto-didata, é possível, mas não muito fácil, você corre o risco de se perder dentro das milhões de variações de deficiências que existem.

Então o meu conselho é:

Resolva cada caso que cair na sua mão!

Olhe para a PESSOA e não apenas para a ROUPA que você vai produzir.

Comece perguntando o problema de saúde que aquela pessoa teve e que tipo de sequela ela ficou após a lesão. Com o tempo só olhando você já irá perceber

Pode ter sido um AVC (derrame), lesão medular…enfim bateu o olho e não sacou o que ele teve: pergunte abertamente qual o nome da sequela que ele teve, se ele ficou hemiplégico, paraplégico, tetraplégico…a pessoa vai saber te falar certinho

Lembre-se que a instalação da deficiência não foi um evento feliz na vida dessas pessoas, muitos já repetiram tantas vezes sua história que já possuem uma resposta automática, outras pessoas dependendo da fase em que estão podem se sentir muito tristes em ter que repeti-las, por isso quanto mais você estudar, quanto mais objetiva sua pergunta for, melhor, porém no início será inevitável…comigo também foi assim.

Enfim, converse com essa pessoa que te procurou, você precisa dessa informação, não é uma simples curiosidade.

Atenção!!! Só tenha MUITO cuidado ao julgar a pessoa incapaz de falar ou de pensar claramente…sempre se dirija a ela e se ela não for capaz de se comunicar ou de pensar,  com certeza ela terá uma outra forma de fazê-lo sozinha ou então terá um acompanhante que o ajude.

Afinal de contas como ela chegou até ali na sua frente?!

Tratar pessoas com deficiência como um “exemplo de vida” ou ao contrário “incapazes de…” é um erro muito comum, não faça isso, não faça nada que você não faria a alguém sem deficiência, sempre pense assim, eu falaria em um tom “fofinho” se essa pessoa não tivesse uma deficiência? Eu costumo considerar pessoas que não conheço a história como exemplo de vida?

Não estou dizendo que pessoas com deficiência não possam ser um ótimo exemplo de vida, muitas realmente são, nada é isso, só digo para ter cuidado em colocá-las todas dentro de um mesmo saco, pois nem sempre o são….mas isso é assunto polêmico para um outro post…rs

Fale com as pessoas, pergunte de forma objetiva o que você precisa saber para desenvolver sua peça de roupa, assim você evita perder um tempão criando peças que a pessoa não precisa usar!! Estude!!

Converse com profissionais da área da Reabilitação ou me envie um e-mail que eu te ajudo!!

Não tenha medo, seja cuidadoso como se fosse com você mesmo e bora trabalhar!!!

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Alegria!

 

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2018-03-09T22:09:31+00:00

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