Moda inclusiva

Moda inclusiva

Moda Inclusiva pelo olhar da terapia ocupacional.

A moda inclusiva tem se desenvolvido intensamente nos últimos anos e experiência positivas ocorrem cada vez mais no contexto de moda e saúde.

Meu nome é Maria Clara Pfister sou terapeuta ocupacional, e vou contar aqui um breve (brevíssimo) relato da minha experiência com Moda inclusiva onde trabalho. http://www.redelucymontoro.org.br

Foto imperdível com Heloísa Rocha🧡 do Moda em Rodas!!

Segundo a Secretaria de Estado dos Diretos da Pessoa com deficiencia a Moda inclusiva possibilita o direito de acesso da pessoa com deficiência a vestimenta adequada para cada ocasião que necessitar, também melhora o acesso a inclusão uma vez que aumenta o poder de escolha do que o usuário deseja vestir.

Como ações e projetos de incentivo voltados para essa área, destacamos o Concurso de Moda Inclusiva que está em seu 9o evento  e vale a pena conferir http://modainclusiva.sedpcd.sp.gov.br

Modelos finalistas do 9o Concurso de Moda Inclusiva (2018).

E os Cursos de Moda inclusiva, Varejo e Construção de Imagem – todos gratuitos e abertos ao público

 Ainda assim a moda inclusiva é algo novo e é importante explicar esse processo.

Vamos lá…bom, o terapeuta ocupacional é o profissional da saúde que avalia e intervém nas dificuldades e capacidades do indivíduo em todas as suas atividades do dia-a-dia como alimentação, higiene pessoal, banho, vestuário superior, vestuário inferior, uso do vaso, atividades laborais, jardinagem, culinária entre outras, ou seja, o vestuário é uma dessas atividades e é nele que colocaremos nosso foco.

Essas atividades são recriadas por meio do uso da Análise da Atividade – protocolo específico da profissão usado para desenvolver o plano de tratamento adequado, promovendo a transformação de uma queixa em algo que seja acessível.

A intervenção de moda inclusiva dentro de um instituto de reabilitação incia por meio da avaliação do paciente pelo terapeuta ocupacional, que identifica se há a queixa de vestuário e a partir daí inicia o plano de tratamento e intervenção focados em moda inclusiva.

Atualmente a maioria dos pacientes indicados para intervenção de moda possuem alguma sequela neurológica como tetraplegia, paraplegia, hemiplégicos (sequela de AVC), paralisia cerebral entre outros.

Suas questões com relação ao vestuário geralmente são relacionadas a dificuldade em vestir e despir, principalmente com relação a calças de tecidos como o jeans.

Todo o processo é realizado em parceria com o paciente, assim desenvolvemos juntos a adaptação que facilite e melhore a sua independência, dentro do que ele espera tanto com relação a funcionalidade quanto com a estética e design final da peça.

Afinal de contas se ficar feio ele não usa, você usaria?

Geralmente não se produz uma peça de roupa completa, adaptamos as peças que os pacientes já possuem e que referem não conseguir usar após a instalação de sua deficiência.

Após definirmos qual adaptação será confeccionada o médico faz a prescrição que é enviada junto com a peça para a costureira interna ao instituto.

O processo finaliza com a entrega e a prova final da adaptação.

Ainda ficamos atentos a aceitação do paciente e acompanhamento de seu uso adequado, caso necessário retomamos esse assunto ou seguem para novas adaptações.

Casos mais específicos como de pacientes que fazem uso do procedimento de cateterismo vesical intermitente limpo (CVIL) são avaliados em conjunto com a equipe de enfermagem, ou seja, após a avaliação e identificação da queixa de vestuário o terapeuta ocupacional entra em contato com o enfermeiro de reabilitação que acompanha aquele paciente específico e verifica se ele está ou não apto a realizar a técnica do cateterismo de forma segura e limpa, a partir daí seguem-se para as etapas de analisar, adaptar e facilitar o vestuário para este processo em especifico.

As adaptações que mais funcionam para este tipo de queixa são as aberturas laterais da calça costuradas com velcro, junto com o tecido de protetor da pele nessas laterais.

A redução do tempo gasto com o vestuário possibilita maior liberdade da pessoa com deficiência em seu dia-a-dia.

Principalmente para quem retomou atividades de trabalho, de estudo, frequentando festas, igrejas; manter-se menos tempo dentro de um banheiro ou não necessitar de auxílio de terceiros facilita e melhora a qualidade de vida, retornando ao trabalho com melhor rendimento, perdendo menos tempo mesmo que ocorra algum imprevisto vesical.

Existem inúmeros tipos de adaptações possíveis a serem feitas, além das aberturas laterais da calça, mas iremos falar disso em outro post em breve!

Também há relatos de paciente que adaptam suas peças de roupa por conta própria com resultados bastante adequados.

Atualmente o usuário de moda possui dificuldade de comprar ou adaptar suas peças de roupa.

Há pacientes que necessitam de um design diferenciado, modelagem adaptada, tecidos inteligentes entre outros, fazendo-se necessário a atuação do profissional de moda com conhecimento de inclusão, porém são serviços dificilmente encontrados.

Aos poucos mais e mais pessoas com deficiência estão circulando pelas ruas, com diferentes corpos, querendo vestir-se conforme a ocasião e com seu estilo próprio, ou seja, as pessoas com ou sem deficiência possuem desejo de consumir moda, melhorar a qualidade de vida retomando suas atividades  diárias, sua identidade e seus valores pessoais.

Segundo André Carvalhal (2016) o futuro da moda é atribuir um novo significado ao que já existe, pode-se criar algo novo, porém não sendo esta uma regra, há roupas inclusivas já no mercado de moda que são peças totalmente inclusivas como tecidos elásticos que imitam o jeans.

É de extrema importância destacar que ambiente inclusivo de moda é o que possibilita ao usuário encontrar roupas adequadas sem nenhum tipo de barreira física ou social, não sendo necessário procurar algo “especial” para ele, em loja “exclusiva” separado dos demais.

Quando a pessoa com deficiência se vê retomando suas atividades do dia-a-dia, mesmo que de uma forma diferente, aos poucos vai ampliando seu universo novamente, vendo-se capaz de tomar suas próprias decisões, interagindo com os diferentes ambientes e se apropriando de sua identidade pessoal. (Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, 2008).

Moda inclusiva de verdade possui impacto positivo na sociedade, respeita esses direitos, proporciona funcionalidade, autonomia, sensação de pertencimento, qualidade de vida e ampliação da participação social.

É uma moda para todos, que inclui e incentiva o resgate da identidade pessoal da pessoa com ou sem deficiência.

2018-02-15T14:28:18+00:00

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